O mercado fechou 35% menos operações no semestre e mobilizou mais capital. A pressão mudou de lugar
Foram 593 negócios anunciados no primeiro semestre de 2026 contra R$ 166,85 bilhões movimentados. Quando o comprador fica mais seletivo, a exigência deixa de bater no ativo e passa a bater na estrutura de quem assessora
O Brasil registrou 593 operações de M&A anunciadas no primeiro semestre de 2026, queda de 35,3% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o capital mobilizado somou R$ 166,85 bilhões, alta de 3,4%. Os números são do relatório trimestral da TTR Data. No fechamento de 2025, a base da KPMG contou 1.581 transações e cerca de US$ 51 bilhões, com fundos de private equity e venture capital presentes em 50% dos negócios do ano contra 43% em 2024.
O comprador não sumiu. Ficou mais seletivo. Menos operações movimentando mais dinheiro significa que errar a contraparte custa caro, e que cada deal levado à mesa precisa chegar mais pronto do que chegava dois anos atrás. Essa conta não é paga pelo ativo. É paga pela estrutura do escritório de M&A que assessora, e ela aparece em três pontos.
Um escritório de M&A guarda sua inteligência em pessoas, e pessoas saem
O sócio que sai leva o critério de precificação do setor que ele cobria. Leva a lista de compradores que responderam da última vez. Leva a memória das três negociações parecidas que terminaram diferente e o motivo de cada desfecho.
Nada disso está escrito. Está em conversa, em e-mail antigo, em planilha pessoal, na cabeça de quem já fez.
Quem chega no lugar recomeça. Leva anos para reconstruir o que a casa inteira já sabia, e durante esse tempo o escritório analisa pior do que analisava. O acervo intelectual de um escritório de M&A costuma ser tratado como cultura, quando na prática é ativo, e ativo que ninguém registrou é ativo que sai pela porta sem baixa contábil.
É esse ponto que os Aprendizados do Escritório atacam. Cada operação analisada deposita critério na instituição em vez de deixá-lo na pessoa: o que a casa considera anomalia aceitável, como precifica risco documental, o que já viu dar errado e em que circunstância. A experiência vira acervo da empresa. Quem entra herda no primeiro dia o que antes levava anos para remontar.
A oportunidade não morre por falta de mérito, morre por não encontrar a contraparte
Originação em boutique funciona por memória e agenda. O sócio lembra de quem comprou algo parecido, liga quando tem tempo, e a lista de aproximações sai do que ele conseguiu recuperar naquela semana. Um mandato bom que não chega ao comprador certo termina igual a um mandato ruim: sem transação.
A queda de 35,3% no número de operações anunciadas convivendo com alta no capital mobilizado descreve esse aperto com precisão. Dinheiro existe. O filtro é que ficou estreito.
"Os investidores voltam ao mercado com caixa, mas também com filtros mais rigorosos e listas de exigências mais longas", afirma Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners.
Com o Invest Match, a originação de um escritório de M&A deixa de depender do que o sócio lembra e vira processo. A leitura do ativo identifica compradores e investidores aderentes, ordena por probabilidade de interesse e registra a justificativa de cada aproximação. A lista de quem chamar existe antes da primeira ligação, não depois dela.
O volume cresceu para um lado e a capacidade de análise do escritório ficou onde estava
O gargalo de um escritório de M&A raramente é falta de oportunidade. É falta de hora de analista.
As operações com participação de private equity somaram 791 no Brasil em 2025, alta de 17,4% sobre as 674 de 2024, enquanto o total do mercado ficou estável em 1.581 transações, segundo a KPMG. Metade dos negócios passou a ser analisada sob padrão de diligência de fundo: mais documento, mais rastreabilidade, mais exigência de defesa por afirmação. A equipe continuou do mesmo tamanho.
Quando isso acontece, o escritório de M&A começa a escolher o que analisa pelo que cabe na semana, e não pelo que vale mais. Junto vem um efeito mais silencioso: a análise do centésimo deal sai diferente da análise do primeiro, porque quem analisou era outra pessoa, em outro mês, com outro critério na cabeça.
A Rede Cognitiva existe para tirar essa variação do caminho. Quatorze inteligências especializadas cobrem dimensões distintas da mesma operação, financeira, jurídica, garantias, contratos, compliance e mercado, e quando divergem a divergência aparece no relatório em vez de sumir. Cada afirmação aponta de volta para o documento e a página de origem. Documento ilegível ou ausente é declarado como não verificado, nunca preenchido por inferência.
O critério da primeira análise passa a ser o mesmo da centésima.
O que muda dentro de um escritório de M&A
Um mercado que faz menos negócios cobra mais de cada um. Nesse ambiente, o que separa um escritório de M&A dos concorrentes não é o tamanho da equipe nem o tamanho do mandato. É quanto da inteligência da casa sobrevive à saída de uma pessoa, à agenda de uma semana e ao volume de um trimestre.
Quem chega à mesa com a análise pronta escolhe o deal. Quem chega depois aceita o que sobrou.
O Mandor foi desenvolvido para escritórios de assessoria, consultores independentes e operações de M&A que precisam mover análises com mais velocidade e menos retrabalho. O critério da casa entra desde o primeiro contato com o deal, a originação vira processo e o parecer sai com fonte e página em cada afirmação.
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